Diretores e professores indígenas do Oiapoque debatem regionalização da alimentação escolar

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Com apoio da Funai e parceria de diversas instituições, a Organização dos Professores Indígenas do Município de Oiapoque (OPIMO) promoveu oficina voltada ao debate da regionalização da alimentação escolar indígena. Durante o evento, que ocorreu entre 10 e 13 de julho, no Oiapoque-AP, professores e diretores de escolas indígenas dos povos Galibi-Marworno, Karipuna, Palikur e Galibi-Kalinã protagonizaram as discussões em que reivindicam o respeito aos costumes e hábitos alimentares tradicionais na escolas das aldeias.

 

A exigência da comunidade educacional indígena é explicada por Izabel Gobbi, antropóloga da Coordenação-Geral de Promoção da Cidadania (CGPC) da Funai. "Os povos indígenas têm pedagogias próprias e processos específicos de ensino e aprendizagem, sendo que os hábitos alimentares, as práticas e conhecimentos associados são parte fundamental desses processos". O atendimento à reivindicação é viável e respaldado pela Lei n° 11.947/2009, que define 30% do recurso do Fundo Nacional de Educação (FNDE) repassado a estados e municípios para aquisição de alimentos provenientes da agricultura familiar local. Diante disso, a Coordenação Regional Amapá e Norte do Pará, CGPC, Coordenação-Geral de Etnodesenvolvimento (CGETNO) deram suporte à OPIMO, a partir do financiamento e construção das oficinas e articulação com instituições competentes.

 

Sonia Anika

Sônia Anika, presidente da Opimo e professora, define o significado do evento para a construção de uma educação escolar indígena específica, diferenciada e de qualidade: "Essa oficina é muito importante porque traz informações boas para as escolas e para melhorar a educação indígena em si. Foram trazidas informações que a gente não sabia, principalmente sobre o caixa escolar. Aprendemos muito nessas oficinas. Elas possibilitam a troca de conhecimento e fortalecimento das comunidades sobre a cultura e identidade desses povos do Oiapoque."

 

Durante quatro dias, foram abordados temas como o contexto atual da alimentação escolar indígena nas escolas do Oiapopque, prestação de contas do Estado e dos municípios ao FNDE, implementação da Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), respeito à Convenção n° 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), diretrizes da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), criação de cardápio específico e diferenciado, debate sobre mapeamento e calendário agrícola, construção de projeto de venda e chamada pública, entre outros.

oficina 8

Segundo Douglas Souza, indigenista da Coordenação-Geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento (CGETNO), a unidade, em conjunto com a CGPC, tem apoiado o imprescindível diálogo entre instituições e indígenas, já que, em muitas regiões do país, a especificidade da nutrição dos povos originários não é respeitada e a distribuição de alimentos industrializados tem gerado profundo impacto em suas culturas.

 

"A princípio, as crianças rejeitam esses alimentos, mas como são mantidos nas escolas, passam a ser consumidos. Depois de um tempo, elas começam a rejeitar os hábitos alimentares tradicionais, o que gera choque cultural e crise social de identidade dentro das comunidades indígenas, uma vez que a alimentação envolve outros processos culturais e não só a ingestão do alimento em si", alerta Souza.

 

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