Abril Indígena: Da Amazônia a São Paulo, povos indígenas reforçam autonomia por meio do etnoturismo

Pequizal do NaruvôtuAcesso à rica pluralidade de modos de vida e às belezas naturais das regiões mais conservadas do país é um dos benefícios usufruídos pelos turistas que escolhem as terras indígenas como destino de suas viagens. Para além das indescritíveis experiências proporcionadas ao visitante, o etnoturismo carrega consigo o fortalecimento das tradições, a autonomia das comunidades, bem como a proteção do território e do meio ambiente, constituindo-se como atividade de geração de renda cujo lucro em muito ultrapassa o valor monetário.

 

O crescente interesse das comunidades indígenas no desenvolvimento e regularização da atividade é o que motiva os esforços da Funai em acompanhar e apoiar essas iniciativas. De acordo com Juan Scalia, coordenador-geral de Etnodesenvolvimento, atualmente a Funai acompanha quase uma dezena de projetos de pesca esportiva a serem implantados, diversos roteiros de ecoturismo em andamento - inclusive em áreas emblemáticas do território nacional, como o Pico da Neblina -, participa de discussões sobre abertura para visitação em rituais indígenas de regiões como Xingu e Acre e apoia comunidades cuja atividade se enquadra no chamado turismo de sol e praia, nas terras indígenas do litoral, como é o caso dos Pataxó, na Bahia, e dos Guarani, em São Paulo. 

 

vivencia

Scalia ressalta que a Funai respeita as escolhas de cada povo também no que se refere às alternativas de geração de renda, atuando em parceria com as comunidades só a partir do momento em que por elas é procurada. "Não fazemos promoção da atividade turística onde não tem, não perguntamos às pessoas se querem ou não desenvolver turismo. Isso realmente tem que nascer de lá. Todas essas iniciativas já tiveram contato, demonstraram interesse ou desenvolveram de forma mais organizada a atividade turística", explica o coordenador.

Atualmente, os roteiros em terras indígenas são variados e podem durar de um dia a duas semanas, chegando até U$ 6 mil por sete dias, maior valor identificado em projetos de pesca esportiva do Rio Negro.

A metade das demandas de construção de projetos de etnoturismo por parte das comunidades está relacionada à pesca esportiva. As atividades têm conseguido multiplicar e assegurar o estoque pesqueiro dos indígenas, já que a regularização e frequência controlada de turistas afugentam pescadores ilegais e a devolução dos peixes apanhados aos rios garantem que as espécies possam fazer a devida manutenção biológica.


PeixePequizal do Naruvôtu, um caso de sucesso

Um projeto de turismo de pesca esportiva que tem se destacado por seus bons resultados é o da Terra Indígena (TI) Pequizal do Naruvôtu. De demarcação recente (homologação em 2016), a TI, localizada nas cidades de Canarana e Gaúcha do Norte-MT, é morada dos Kalapalo e Naruvôtu e abriga rica região pesqueira no encontro dos rios Kuluene e Sete de Setembro, afluentes do Xingu.

Acometida por atividades exploratórias irregulares, a área se encontrava desprotegida e o número de espécies aquáticas estava extremamente reduzido até que os indígenas da região, ainda em 2016, no intuito de gerar renda para suprir as necessidades estruturais das novas aldeias da TI, começaram a desenvolver projeto de pesca esportiva que trabalha sob a ideia da cota zero, isto é, todas as espécies capturadas são devolvidas com vida à água.

O retorno foi surpreendente. O projeto, desenvolvido em parceria exclusiva com a Pousada Recanto do Xingu, além de propiciar aporte financeiro para necessidades essenciais dos indígenas, desde alimentação até edificação das grandes malocas xinguanas, mostrou-se como importante ferramenta de gestão e proteção tanto ambiental quanto territorial, afugentando invasores, inibindo atividades predatórias, recuperando as espécies em risco e fortalecendo a autonomia da comunidade indígena local.

 

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