Cresce procura de indígenas pelo vestibular da UnB

indigenaunbDe origem Xerente, etnia habitante da região central do Tocantins, a estudante de Enfermagem Kássia Gomes dos Santos, 20 anos, é a primeira de sua comunidade a cursar uma graduação na área da Saúde. O acesso à Universidade de Brasília se deu em 2018, pelo vestibular indígena. Para a jovem, a participação na seleção trouxe chance de se realizar profissionalmente e de contribuir, em futuro breve, para sanar carências na promoção à saúde em sua aldeia. "O mais gratificante é ver o pessoal da minha comunidade com orgulho de falar que eu sou da UnB. Para mim, foi a melhor coisa que aconteceu", alegra-se.

 

As inscrições para o vestibular indígena de 2019 se encerraram em 15 de fevereiro. Neste ano, a seleção traz novidades. Além da ampliação do número de cursos e vagas, os aprovados ingressarão somente no segundo semestre. Serão 85 vagas distribuídas em 30 graduações, nos campi Darcy Ribeiro, de Ceilândia (FCE) e de Planaltina (FUP). Em 2017, quando foi aberto o edital anterior, os quantitativos eram de 72 vagas para 22 cursos.

 

A mudança se reflete no crescimento do número de concorrentes: desta vez, 772 candidatos – 56 a mais que na edição passada – disputam oportunidades de ingresso na instituição. Oito localidades receberão as provas objetiva e discursiva, marcadas para o dia 23 de março, além da etapa de entrevistas. As cidades são Aracruz (ES) – Aldeia Caieiras Velhas –, Boa Vista (RR), Brasília (DF), Imperatriz (MA), Manaus (AM), São Gabriel da Cachoeira (AM), Tabatinga (AM) e Tacaratu (PE) – Aldeia Brejo dos Padres.

 

Os polos e graduações ofertados foram definidos conforme as demandas das comunidades indígenas. Anualmente, uma comissão, formada pelos decanatos de Ensino de Graduação (DEG) e de Assuntos Comunitários (DAC), movimentos indígenas, além de Funai e Ministério da Educação (MEC), é responsável por discutir coletivamente tais necessidades e adequá-las ao processo seletivo, além de atuar na construção do edital e das provas.

 

"Elencamos com os estudantes indígenas os cursos da Universidade que seriam de maior relevância para as comunidades e para o mercado de trabalho onde atuarão. Com essa relação, o DEG solicitou aos departamentos o interesse em oferecer as vagas", detalha a coordenadora da Questão Indígena (DIV/DAC), Cláudia Renault. Nesta edição, os cursos com mais inscritos são Medicina (198), Enfermagem (86) e Psicologia (72).

 

Mais diversidade

 

inscritosDesde 2006, a UnB adota processo seletivo exclusivo para ingresso de estudantes indígenas, com a oferta de vagas suplementares em cursos de graduação. Realizada por meio de acordo de cooperação técnica com a Fundação Nacional do Índio (Funai), a iniciativa é pioneira entre universidades federais de todo o Brasil.

 

Na avaliação de Cláudia Renault, a aproximação entre universidade e comunidades indígenas é fundamental para promover a democratização no acesso ao ensino superior e a integração entre os diferentes saberes, sejam acadêmicos ou tradicionais. "A Universidade tem o papel de promover esse diálogo de saberes. A inclusão dos indígenas no ambiente acadêmico irá proporcionar o retorno dessas pessoas para suas comunidades ou instituições para defender os seus direitos e a garantir sua cidadania e autonomia", afirma.

 

O coordenador substituto da Diretoria de Acompanhamento e Integração Acadêmica (Daia/DEG), Clayton Mendes, acredita que a consolidação do processo seletivo impulsiona a transformação da instituição em um espaço mais diverso. "Iniciativas como essa fazem com que a Universidade seja múltipla, plural e tenha grupos de origens diferentes interagindo. Os indígenas têm suas vivências, experiências e visão de mundo. É uma troca bastante rica e a UnB ganha muito com isso."

 

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Destaques

class=Funai prorrogou a data de entrega das propostas da Chamada Pública nº 001/2019 para o dia 26 de abril. Serão beneficiadas aldeias indígenas próximas aos municípios de Marabá e Itaituba (PA), Tabatinga (AM), Palmas (TO) e Imperatriz (MA). Os recursos para a instituição que será selecionada somam o total de R$ 500 mil.

 

class=No início deste mês, pajés, rezadores, raizeiros e parteiras participaram de um encontro com agentes de saúde na aldeia Ipavu-Kamayurá, na Terra Indígena Parque do Xingu-MT. Durante os dias 5 a 8 de abril, o evento, que contou com a participação de diversos povos indígenas e parceiros, promoveu o compartilhamento de informações entre cuidadores, acordos entre pajés e agentes de saúde indígena e o fortalecimento do papel social, político e cultural dos pajés.

 

class=Com uma produção anual de aproximadamente 70 toneladas de camarão, o Povo Potiguara fortalece a carcinicultura desenvolvida por cerca de 100 famílias indígenas na Paraíba. Por temporada, a atividade fatura o equivalente a...

 
 
 

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