Festa da Colheita dos Paresi, no Mato Grosso, é celebrada com a presença de autoridades do Governo Federal

 

Autoridades

 

autoridades no palanqueOntem, para encerrar a Festa da Colheita, os ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles; o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes; deputados federais e estaduais; os prefeitos de Sapezal e Campo Novo do Parecis, Valcir Casagrande e Rafael Machado; e o Diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai, Fernando Melo, visitaram os dois mil hectares de soja biológica plantados pelos Paresi na Terra Indígena Utiariti.

 

Tereza Cristina garantiu que se reunirá com instituições financeiras em Brasília para assegurar aos indígenas as mesmas oportunidades de crédito dos demais agricultores. A ministra afirmou ainda que é necessário rever a legislação brasileira.

 

"Com todos os problemas que esses indígenas enfrentam, eles ainda acham que vale a pena continuar produzindo, porque hoje eles têm uma vida muito melhor. Com certeza, chegando à Brasília, eu vou sentar com o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, enfim, com as instituições financeiras, para saber como nós podemos ajudá-los. Eles têm um problema que, como a terra é da União, eles não têm garantia para esses financiamentos. Mas existem maneiras de se fazer isso, através do aval de bancos ou do Estado Brasileiro. Nós temos que pensar uma maneira de fazer com que eles continuem produzindo, gerando riqueza e renda para o seu povo", ressaltou Tereza Cristina.

 

O ministro do Meio Ambiente afirmou que o compromisso da ministra Tereza Cristina, do presidente Jair Bolsonaro e dos órgãos federais é de entender, apoiar e ajudar a solucionar todos os desafios, considerando a realidade e a necessidade real de todos.

 

"É extremamente importante prestigiar medidas como as que são feitas aqui nos Paresi, que são para conciliação do desenvolvimento e a manutenção do meio ambiente. Não há desenvolvimento econômico se nós não cuidarmos do meio ambiente. E também não haverá como cuidar do meio ambiente sem que nós tenhamos esse desenvolvimento econômico", disse Ricardo Salles.

 

Já Mauro Mendes afirmou que o Estado dará apoio e suporte para a ampliação da agricultura indígena. "Eles mostram que querem trabalhar, produzir. Querem construir seu sustento com dignidade, mantendo sua cultura. E o Governo do Estado apoiará essa iniciativa, para que os povos indígenas de Mato Grosso sejam um exemplo para outros estados", destacou o governador.

 

Representando o presidente Franklimberg de Freitas, que estava em Sucre, na Bolívia, participando da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o Diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai, Fernando Melo, lembrou que a instituição tem como missão garantir os direitos dos povos indígenas, respeitando o modelo de desenvolvimento que cada comunidade escolhe para viver.

 

"Estamos aqui para apoiar as iniciativas dos povos indígenas, conforme determina a Convenção 169 da OIT, que cada povo tem o direito de escolher seu modelo de desenvolvimento, preservando, naturalmente, sua cultura. A nossa missão vai dentro dessa linha. E hoje, nós estamos abraçados para tentar promover e facilitar, dentro da legalidade, é claro, o modelo escolhido pelos indígenas do Mato Grosso", defendeu Melo.

 

Agricultores Indígenas

 

Ronaldo ParesiPresidente da Cooperativa Agropecuária dos Povos Indígenas Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki (Coopihanama), Ronaldo Zokezomaiake Paresi comemorou a presença das autoridades no evento e agradeceu o apoio da Funai, desde que eles aprenderam, há 15 anos, as técnicas e manejo da atividade agrícola.

 

"Estamos iniciando uma nova história. Começamos pequenos, mas com o apoio da Funai, hoje somos grandes. Ainda mais com as portas que se abrem depois desse encontro. Esse projeto não é mais apenas dos Paresi, mas do Governo Federal. E que sirva de modelo para outras comunidades que queiram plantar, trabalhar com turismo ou qualquer outra atividade que gere renda para o nosso povo. Nosso sonho agora é criar um centro agrotécnico para ensinar todos os indígenas que queiram aprender as técnicas agrícolas", informou Ronaldo.

 

Arnaldo Zunizakae, líder Paresi e coordenador de Projetos da Associação Halitinã, destacou a luta de seu povo para vencer desafios por meio da atividade desenvolvida nas lavouras. "Venho, desde sempre, lutando para que esse povo indígena tenha dignidade através do trabalho. Para que, através desse trabalho, a gente possa superar não apenas as doenças, a desnutrição, mas também o preconceito de dizer que índio só quer terra pra ser vagabundo e preguiçoso".

 

Também participaram do evento produtores rurais da região, representantes da Associação de Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 

Ascom/Funai

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